O Desencantamento do Mundo


 

O desencantamento do mundo

Antônio Flávio Pierucci

85-7326-278-8

 

Aqui despontam duas teses fortes. Primeiro, que o termo desencantamento, aplicado a toda uma condição do mundo em que se movem os homens, vai muito mais fundo do que uma vaga noção alusiva a alguma perda, carência ou mal-estar subjetivo desencantamento não é desencanto. Estamos e esta é a primeira afirmação forte diante de um conceito, construído para ajudar a explicar o mundo, não para lamentá-lo. Um conceito não se entende sozinho só ganha sentido quando encontra seu lugar na estrutura analítica que, no conjunto, forma uma teoria. É, pois, toda a armação da teoria sociológica de Max Weber que está em jogo. É ela que tem que ser percorrida quando a tarefa consiste em reconstruir, passo a passo, o modo como nela se vai fazendo presente uma peça sem a qual o resto não avança, que é precisamente o conceito de desencantamento do mundo. Qual é então, afinal, o significado exato dessa idéia de desencantamento do mundo na sociologia de Weber? Devagar com o andor, diria Pierucci no seu estilo próprio, em que o rigor mais severo se mescla ao tom coloquial e à intuição fulgurante ciência é sinônimo de progresso da ciência. Não é este o lugar para antecipar isso. Essa revelação só tem graça passo a passo, tal como vai sendo armada ao longo do texto.